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Eclipse, o ecossistema por trás do IDE

O Eclipse não é apenas uma das principais IDEs Java, bem além disso, o projeto é uma referência e um caso de sucesso no desenvolvimento de software de um modo geral. Atualmente com pouco mais de 10 anos de vida, o Eclipse hoje é um ecossistema composto por vários projetos de diversas características.

Um ponto extremamente importante relacionado ao Eclipse é o modelo open source. O Eclipse atingiu o patamar atual, principalmente pela força e influência da comunidade open source. Indo um pouco além, o Eclipse é a prova real de que desenvolvimento de software open source funciona, e muito bem!

Início

Em meados de 1998 os servlets, modelo de componentes Java para geração de conteúdo dinâmico na web (HTML, CSS, JS), eram a bola da vez. Naquele momento a IBM investiu na criação de um ambiente de desenvolvimento que fosse eficiente para trabalhar com servlets (e posteriormente JSPs). Foi aqui que a empresa desenvolveu o Websphere Studio, uma ferramenta visual com a capacidade de editar código HTML e Java e, facilitar a integração com o servidor de aplicações WebSphere.

O WebSphere Studio evoluiu e em 2001 se tornou a base para o lançamento da primeira versão do Eclipse. A IBM abriu e doou o código do projeto para a comunidade de fornecedores de ferramentas de software. A partir disso foi formado um consórcio de empresas (IBM, Borland, SuSe e outras) para controlar a evolução do Eclipse, e a ferramenta começou a evoluir rapidamente.

Uma característica do Eclipse que chamou a atenção da comunidade era a possibilidade de extender (customizar) as funcionalidades da ferramenta através da criação de plugins. Um plugin é um componente conectado (plugado) no Eclipse para agregar funcionalidades ao ambiente. Plugins combinados podem formar um ambiente de desenvolvimento mais integrado e funcional.

Fundação Eclipse

Em 2004 com objetivo de criar uma corporação sem fins lucrativos, aumentar a participação de parceiros e fornecedores de extensões, foi criada a Fundação Eclipse.

A fundação emprega uma equipe de profissionais em tempo integral para prestar serviços à comunidade. De forma geral, a Fundação Eclipse provê serviços relacionados a infra-estrutura, gerenciamento de projeto, propriedade intelectual e adequeção ao ecossistema.

Os desenvolvedores open source que colaboram com a codificação do Eclipse, não são contratados pela fundação! Esses desenvolvedores são chamados de commiters e normalmente são empregados por outras organizações. Existem também os commiters independentes, sem vínculo com alguma empresa.

Projetos

O ecossistema é formado por mais 250 projetos, veja a lista dos projetos Eclipse. Cada projeto é organizado em uma estrutura padrão, com um website disponibilizando a documentação, o repositório para controlar o código do projeto e o time responsável por realizar o projeto. O time de um projeto é formado por um ou mais líderes, por commiters e, eventualmente, pelo apoio de empresas que investem no Eclipse.

Desses projetos, alguns merecem destaque:

  • e4 Project, define a próxima geração da plataforma (core) Eclipse. Imprega um novo modelo de arquitetura, mais sofisticado, que passa a ser a base para o desenvolvimento da versão corrente, e das futuras versões, do Eclipse IDE.
  • EMF, é um framework de modelagem e geração de código que permite a construção e integração de outras aplicações baseados em um modelo de dados.
  • Mylyn, relaciona um grupo de ferramentas de acordo com o interesse ou tipo de desenvolvedor, permitindo maior foco e produtividade no uso dessas ferramentas.
  • Orion, um novo conceito de IDE, aonde o desenvolvedor escreve código utilizando o navegador, integrado a Web.
  • AJDT, conjunto de ferramentas para desenvolvimento com AspectJ (linguagem orientada a aspectos da Fundação Eclipse).
  • WTP, plataforma composta por funcionalidades e ferramentas para o desenvolvimento Web.

Eclipse IDE

O Eclipse IDE, o ambiente integrado de desenvolvimento, é o principal produto da fundação. Da primeira versão até 2011, foram lançadas mais de 10 releases principais, uma por ano. A partir de 2006 cada nova release do Eclipse começou a ser lançada com um codinome (apelido):

  • Eclipse Callisto (versão 3.2) em 2006.
  • Eclipse Europa (versão 3.3) em 2007.
  • Eclipse Ganymede (versão 3.4) em 2008.
  • Eclipse Galileo (versão 3.5) em 2009.
  • Eclipse Helios (versão 3.6) em 2010.
  • Eclipse Indigo (versão 3.7) em 2011.
  • Eclipse Juno (versão 4.2) em 2012.

Em 2012 foi lançada uma nova release do Eclipse IDE, com o codinome Juno. O Eclipse Juno é um marco para a fundação, pois o projeto é a primeira release do IDE baseada no E4, a nova arquitetura da plataforma (core) Eclipse. A Fundação Eclipse também já definiu o codinome para o Eclipse IDE que será lançado em 2013: Eclipse Keplar.

Conclusão

Após uma década de desenvolvimento, o Eclipse ainda é um projeto cativante. A ferramenta é utilizada por desenvolvedores em todos os níveis, dos mais experientes aos novatos no mundo Java. Aliás, da mesma forma que a plataforma Java, o Eclipse segue a linha de ambiente poliglota com o suporte a várias linguagens, desenvolvedores PHP, Python, C++, entre outras podem tirar proveito do IDE.

O desenvolvimento de aplicativos para a web, tirando proveito de serviços no modelo de cloud computing, é uma tendência. O Eclipse Orion é o projeto da fundação que segue essa estratégia. Por enquanto ainda não há rumores em desativar o Eclipse IDE e migrar suas funcionalidades para o Orion. A médio prazo a fundação irá investir em paralelo na criação de funcionalidades e evolução desses dois modelos de IDE.

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